Há um fetiche do corpo. Um corpo "capa de revista" é de papel, o nosso é constituição orgânica — carne e osso — mas queremos que ele seja mais “ideal” que “material”, mais ter do que ser. O corpo muda, porque a única coisa que permanece é a mudança. De sete em sete anos a epiderme se renova, a moda muda, mesmo sendo a mesma e o corpo continua sendo uma dobra, uma curva. Houve no início do século 20 uma “invenção” do corpo, primeiro de forma psicanalítica, depois filosófica e, finalmente, antropológica. Neste século, nunca se falou tanto em corpo, de academias, de dança, de luta; o corpo é modelado para parecer sempre jovem, atlético, favorecendo a estética e, outras vezes, a saúde ou a propriedade divina, porém, esses corpos alinhados, asseados, vigorosos e robustos, nem sempre se relacionam bem com outros corpos e com o novo milênio. Cada corpo é uma combinação de tato, paladar, olfato, visão. O corpo conserva a herança de gerações passadas, têm várias linguagens e sen...
Produto final da eletiva da escola albaniza rocha sarasate